Uma população saudável não se constrói com mais médicos ou mais macas novas: se contrói com macas vazias.

Posted: 28 de Julho de 2013 in Uncategorized
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Olhando para a imagem acima, o que está faltando: Um médico ou uma maca nova? Se eu fosse do governo, perguntaria: “Onde está o médico?”. Se eu fosse do CFM (Conselho Federal de Medicina) ou médico, perguntaria: “Onde está o leito novo?”. Mas pensando melhor, dentro do contexto que quero abordar, poderia ver nesta imagem um certo alento de que a medicina estaria funcionando: não há doentes para precisar de mais macas novas e mais médicos.

Antes de continuar lendo o texto responda a seguinte pergunta para você mesmo, independente da minha opinião: A longo prazo, qual a melhor forma para melhorar a saúde da população: uma medicina voltada para tratar as doenças ou uma medicina voltada para evitar o surgimento delas?

Você poderia dizer que não são medidas contrárias tendo que investir em ambas. Mas quero mostrar neste texto que se investisse muito mais em impedir o surgimento de doenças, menor seria a necessidade de investimento no tratamento das mesmas. 

Depois destes últimos meses acompanhando os embates entre o Governo e o CFM em busca de melhorias na saúde pública de nosso país, em resposta aos protestos por todo o país, tenho percebido que ambos estão deixando de discutir o que pode realmente mudar o quadro da saúde da população: EDUCAÇÃO EM SAÚDE e MEDICINA PREVENTIVA.

Educar uma população para a mesmo cuidar de sua própria saúde envolve investir pesado em capacitar profissionais que possam ensinar novos hábitos que envolve uma educação alimentar saudável, que estimule a prática diária de atividades físicas, entre outras medidas. Que acompanhe de perto a população na sua atenção básica (médicos de família, enfermeiros, agentes de saúde etc) e outros profissionais como nutricionistas, professores de educação física, fisiologistas, psicólogos, psicoterapeutas etc.

Investimento maior em obras de saneamento básico, vacinação, combate a parasitoses e a vetores.

Investimento contra a obesidade, o tabagismo e o alcoolismo, como supervisão maior sobre os produtos das industrias alimentícias, e impostos maiores sobre as empresas do ramo do tabaco e do álcool; e também na redução da violência que envolve também a violência no trânsito.

Rastreamento de doenças comuns e tratáveis como o câncer de colo do útero, câncer de mama etc.

Para se ter uma idéia, estas condições – Diabetes, Obesidade, Hipertensão, Tabagismo e Alcoolismo, por exemplo (veja referências abaixo) – que afetam milhões de pessoas em nosso país, que exigem gastos exorbitantes do dinheiro público, e que na sua GRANDE MAIORIA seriam prevenidas com as medidas citadas acima, são as CAUSAS DIRETAS de outras milhares de patologias que alimentam a necessidade de milhares de médicos especialistas para atender esta população e de milhares de macas novas. Milhões de doentes são gerados com doenças ligadas a estas condições simplesmente porque não se educa a população nos cuidados simples que as evitariam. Este mesmo dinheiro poderia então ser destinado a mais melhorias na educação em saúde e prevenção de doenças.

Infelizmente, o Governo não apresentou nenhuma medida mais pesada, de alto investimento, quanto a prevenção de doenças e na educação em saúde da população. Apenas em soluções para o tratamento da população já doente e dos que surgirão nas próximas décadas, devido a falha no investimento preventivo nas últimas décadas.

Assim como o Governo, o CFM também não apresentou nenhuma proposta de melhoria na educação de saúde e prevenção no surgimento de doenças. Pensa em solucionar o problema da saúde apenas melhorando a carreira médica com salários bons e estrutura de ponta. Como se fosse uma regra matemática [Hospitais de 1° Mundo + Equipamentos de ultima geração + Medicamentos para todos + Salários Altos + Médicos Felizes] = População Saudável. 

Mas porque ambos, Governo e CFM estão apegados a apenas tratar as doenças e não prevenir o surgimento delas? Porque este não é o centro do debate?
O que me leva ao pensamento de Paulo Freire: “Os opressores, falsamente generosos, tem necessidade para que a sua “generosidade” continue tendo oportunidade de realizar-se, da permanência da injustiça.”

O governo diz que falta medico do lado do leito do doente. O CFM diz que falta leito para o médico estar ao lado do doente. Mas nenhum dos dois se perguntam: o que trouxe este doente aqui, poderia ter sido evitado? Se respondermos esta pergunta, veremos que a saúde não se constrói com mais médicos ou mais leitos e sim com pessoas conscientes no cuidado de sua saúde. A saúde da população não deve estar na mão do governo, nem do CFM ou dos médicos mas na mão do próprio humano que é o construtor maior de sua própria história. 

“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.”(Paulo Freire)

Suênio Trindade Alves

Leituras/Vídeos Recomendados:

1 – Obesidade Infantil – Assista o documentário Muito além do Peso.
“Hoje em dia, um terço das crianças brasileiras está acima do peso. Esta é a primeira geração a apresentar doenças antes restritas aos adultos, como depressão, diabetes e problemas cardiovasculares. Este documentário estuda o caso da obesidade infantil principalmente no território nacional, mas também nos outros países no mundo, entrevistando pais, representantes das escolas, membros do governo e responsáveis pela publicidade de alimentos.”
http://www.youtube.com/watch?v=8UGe5GiHCT4&list=PLb0s6Q0hyCUvNkNUS4PJqY6qtRPZLNow8 

2 – Brasil gasta R$ 21 bi com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco (30% do orçamento em saúde) –http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,brasil-gasta-r-21-bi-com-tratamento-de-doencas-relacionadas-ao-tabaco-,880230,0.htm 

3 – “(…) danos causados pelo consumo de bebida alcoólica é estimado na ação em cerca de R$ 2,8 bilhões e foi calculado com base em danos mensuráveis (gastos federais no âmbito do SUS e despesas previdenciárias, em razão de doenças ou lesões diretamente relacionadas com o consumo de álcool)” – http://www.antidrogas.com.br/mostraartigo.php?c=1013&msg=Danos+causados+pelo+%E1lcool+aumenta+gastos+do+SUS+e+despesas+previdenci%E1rias%2C+diz+MPF

4 – “(…) Violência no trânsito – Os acidentes de trânsito provocam grandes custos sociais para as cidades. Para cada vítima em situação grave, valor, em média, é de R$ 200 mil. No caso de mortes, esse cálculo pode chegar a R$ 800 mil.”
http://oglobo.globo.com/rio/violencia-no-transito-com-morte-valor-perdido-chega-r-800-mil-8660726#ixzz2ZJTszFL3 

5 – Diabetes – “Considerada a grande doença do século 21, o diabetes tem um elevado peso nas despesas dos sistemas de saúde, com um número atual de doentes ao redor de 285 milhões, podendo chegar aos 435 milhões em vinte anos se não forem adotadas medidas educativas e preventivas.“
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1376616-5603,00.html

6 – Caderno de Educação Popular e Saúde – http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/caderno_de_educacao_popular_e_saude.pdf

 

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