Rio +20 e o Desenvolvimento Sustentável

Posted: 26 de Junho de 2012 in Uncategorized

Lucas Lujan

Aconteceu em Junho deste ano, no Rio de Janeiro, a “Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável” – a Rio +20. A conferência é um ressonância da Rio92, que por sua vez, foi uma ressonância da Conferência de Estocolmo, de 1972. Todos estes encontros tiveram um objetivo em comum: discutir a relação do Homem com o Meio Ambiente.

Sob o lema “Cresce, Incluir, Proteger – na busca da economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza”, várias organizações do poder público, privado e da sociedade civil discutiram formas, apontaram caminhos e soluções para o desenvolvimento sustentável durante a Rio +20.

Apenas como pano de fundo, alguns dados que você precisa saber: atualmente, um bilhão de pessoas passam fome no mundo; destas, 180 milhões são crianças; e destas, entre 10 e 11 milhões morrem de inanição ou de não acesso a água limpa, ou seja, 30 mil por dia, de torres gêmeas em termos de mortos por dia.

Se os países do mundo explorassem os recursos naturais no ritmo dos EUA, seriam necessários cinco planetas para termos uma economia sustentável. Se todos os países do mundo consumissem água no ritmo dos chineses, em 2025 não haveria mais água doce no planeta – que hoje é apenas de 3,5% da água na Terra. O consumo total de água aumentou em sete vezes nos últimos 60 anos; no mesmo período, a população mundial duplicou.

Os países desenvolvidos utilizam 80% dos recursos naturais do planeta e abrigam apenas 20% da população mundial. Nosso modelo de economia utiliza 35% a mais dos recursos que a Terra consegue renovar.

Diante desse quadro, agravam-se os dramas do aquecimento global, da liquidação das florestas originais, da destruição da vida nos mares, da perda de solo agrícola, da redução da biodiversidade e do esgotamento de recursos naturais críticos. Quer dizer, há uma convergência de processos críticos, o ambiental, o social e o econômico.

Por isso a necessidade de se discutir, apontar caminhos e soluções para uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável.

Acertou Leonardo Boff: “O pior que podemos fazer é não fazer nada e deixar que as coisas prolonguem seu curso perigoso.” Urge que a sustentabilidade global torne-se o fundamento da sociedade.

Engana-se quem acha que, no mundo inteiro, não há ninguém realmente preocupado com essa questão. Organizações importantes do mundo estão reunidas em torno do problema. A Green Transition Scoreboard 2012 mostra que, nos últimos cinco anos, foram investidos $ 3,3 trilhões em pesquisas de energia renovável, tecnologias sustentáveis e semelhantes, com forte aumento de recursos a cada ano.

Ainda fora da agenda, contudo, estão temas que precisam de atenção integral: demarcação de terras, comunidades tradicionais e soberania alimentar. Esses temas devem ser apontados por nós mesmos, sociedade civil, pressionando os países ricos, e o Brasil, a coloca-los em pauta.

Boa parte das pessoas do mundo inteiro já perceberam que cuidar do planeta não é uma opção, é uma necessidade. E você, já percebeu?

Uma boa forma de se engajar é comprometer-se pessoalmente, com responsabilidade. Reveja seu padrão de consumo de bens materiais, seus gastos de energia elétrica e água, faça coleta seletiva em sua casa, e procure se filiar a organismos que articulam redes internacionais de colaboração e compromisso, como a “União Global pela Sustentabilidade” – globalunionforsustainability.org

O Brasil protagonizou a Rio+20, com moral. Hoje, nosso país tem 47% de sua energia renovável, enquanto o segundo colocado não passa dos 13%. Pode-se discutir a que custo é obtida essa energia, contudo, não deixa de ser um caminho e um modelo – a ser melhorado – para uma economia sustentável.

Um ganho indiscutível da Conferência foi a criação do Fórum de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável – sob direção da ONU. Ele fiscalizará os países que assumiram compromissos em suas agendas até 2030. Fiquemos de olho.

Nenhuma discussão é mais atual e importante do que essa. Teremos feito um péssimo trabalho se apenas dermos de ombro para tudo isso, pessoal e coletivamente. A biografia do ser humano contemporâneo, minha e sua, terá valor e legado apenas se levarmos a sério a importância do momento histórico que estamos atravessando, por se tratar diretamente do futuro das próximas gerações.

*Fontes:

dowbor.org

akatu.org.br

rio+20.gov.br

rio20.net

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